O corpo que a gente tem

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Já fui forte defensora do silicone. Caiu? Levanta? Murchou? Enche! Por que viver com algo que nos incomoda? E assim, me prometi que ao terminar minha jornada de amamentação, iria arrumar geral.
Pois bem. Promessa desfeita.
O peito desapareceu mas eu comecei a me esforçar para olhar para isso com mais generosidade e menos cobrança. Não tem sido fácil. Não é exatamente confortável gostar da gente, do nosso corpo. Estão sempre faltando 3 quilos aqui, uma bunda mais dura ali. Ser magra é uma busca constante e parecer jovem é algo que norteia nossas escolhas. Isso cansa. Estamos o tempo todo fazendo reparos e melhorias em coisas ou partes que não aceitamos, não achamos bonitos e repassamos isso naturalmente para as nossas meninas e meninos. Dificilmente é sobre saúde e a maioria das vezes é apenas sobre estética ou nóia mesmo. Colocamos nossa felicidade e autoestima ligados ao efêmero: a beleza. Claro que para algumas mulheres isso pode funcionar e ser transformador, mas podemos também viver em busca da parte que falta. A minha decisão de não colocar o peito, tem a ver com o meu compromisso de me amar mais e ensinar isso as minhas filhas.
E isso não é uma crítica a quem bota peito, arruma o nariz, cuida com afinco da sobrancelha. Isso é para que a gente pense e perceba as armadilhas criadas por nós mesmas (e claro, pela sociedade) e como podemos ser cruéis com a história que carregamos em cada parte do nosso corpo. Se amar é difícil demais, mas pode ser muito incrível. É onde começa o autocuidado. Para quem quiser entender melhor essa conversa toda, vale ler O Mito da Beleza, da Naomi Wolf. É muito chocante perceber a engrenagem que existe por trás do que fomos ensinadas a chamar de vaidade feminina.

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