Uma pitada de ego

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Contrariando o cardápio da samana, ela pediu para levar mamão cortado para o lanche da escola, que indicava banana. Na volta, temos o ritual de desfazer as lancheiras e para minha surpresa, o mamão, do jeito que foi, voltou. Na hora do almoço, o pai sentou no lugar dela e isso foi motivo suficiente para muito choro e uma saída pela tangente para escapar de mais uma refeição. Não quis almoçar de jeito nenhum e concluiu dizendo assim: "Mãe, não quero comer agora. Na hora do lanche eu vou comer morango e depois suco e tá tudo bem".

Alimentar filhos é algo que mexe no ponteiro do nosso ego e isso é um grande erro. Logo de início, ainda no processo da amamentação a disputa é estabelecida. Quem amamenta x quem dá fórmula, quem dá o peito eternamennte x quem não vê a hora de começar com as frutas e assim, seguimos. Quando começa a introdução alimentar, parece que vamos ser submetidas a um teste de qualidade da nossa maternidade. Quem fizer o bebê comer brócolis ganha. O que ninguém diz, é que tudo pode ser um mar de rosas, até se transformar num tsunami e a criança que comia tudo, passa a rejeitar até salsa picada. A mãe se descabela, sofre, compra livro da Bela Gil, vai no nutricionista e busca todas as alternativas possíveis para resolver o problema do filho, que come mal.

Olhar para a sua própria relação com a comida, ninguém quer. Entender que no tamanho do estômago do seu filho você não manda é algo que parece não fazer sentido na cabeça das mães: "como assim não tá com fome?? Claro que tá com fome!"

Experimente tirar o ego dessa receita.

Experimente entender e aceitar seu filho com as dificuldades que ele tem.

Desligue a tv e transforme as refeições em um momento de conexão, onde comer é um detalhe, mas que se faz com prazer.

A mesa precisa ser um lugar de convívio, de diálogo. Ninguém aprende a gostar de comida quando se tem uma colher sendo enfiada goela abaixo.

Promova o bem estar trazendo para as refeições diversidade, cores e sabores. Aproveite, se divirta, conte histórias, ouça, compartilhe do seu prato. E confie que aos poucos, a relação das crianças com o se alimentar vai sendo transformada. Mas saiba que começa em você.

P.S: nesse dia, Teresa não almoçou. Estava mau-humorada e precisava de um tempo. Me prometeu que lancharia, e assim o fez. Foi respeitada em sua falta de apetite e respeitou o fato de só poder comer novamente no meio da tarde. #parentalidadepositiva #equilibrioparental