Empreendedorismo possível

Empreendedorismo possível. Ouvir esse conceito foi como receber um abraço, daqueles longos e calorosos, que acalma coração acelerado. Nunca fui boa com números, planilhas ou mesmo planejamento e isso sempre me puxava para um lugar do "não saber empreender". E sempre que vinha uma vontade de fazer algo acontecer, vinha junto a lista de cursos indispensáveis para viabilizar o sonho, a ideia e ai, não andava. Uma mistura de síndrome da impostora com procrastinação. Era também um jeito de deixar para depois, de reafirmar a minha incapacidade e de permanecer no mesmo lugar.

Desde o convite da revista TPM, tenho falado muito sobre trabalho e carreira e essa semana a @renatamiwa (inteligente, linda e querida) pediu minha colaboração para um talk que vai acontecer gratuitamente sábado, dia 28/07 no MIS, em São Paulo, sobre esse tema e me trouxe o conceito de empreender de forma possível. Confesso que me senti aliviada.

Estou vivendo um momento de ebulição profissional e pensar no tanto de projeto que pode surgir apartir disso é maravilhoso. Mas eu continuo sendo mãe de 4 crianças e eles são a minha prioridade. Claro que falo de um lugar de privilégio, mas que é o meu lugar e carrega as minhas questões. Então, como conciliar a vontade de fazer tudo o que desejo com as demandas familiares? O único jeito é entendendo que as coisas vão acontecer aos poucos e que tá tudo bem. Eu não preciso ter pressa de dar certo. Eu não preciso apresentar balanço anual para ninguém, além de mim. Isso siginifica que posso ter calma. Posso respeitar mais o tempo das coisas. Posso assumir que quase nada está sob meu controle e ainda assim, existe a chance de dar certo. Abrir mão de regras que eu não criei, para que o meu trabalho flua, encontre seu compasso. Empreender de forma possível, me parece um carinho, um jeito de ser gentil com a minha força produtiva, de me orgulhar do que venho construíndo e de perceber que o futuro não precisa ser angustiante. Ele pode ser massa. <3