Diálogos sinceros

IMG_6882.JPG

"Escutei você falando sobre seus filhos e fui sendo tomada por uma aflição, um embrulho. Estou aqui, completamente distante de quem eu era, desconectada, descuidada, sem conseguir me amar e você está aí, com quatro crianças, bonita, maquiada, magra. Sei que você não está aqui para dizer como se faz nada, mas me fala por que eu não consigo e você consegue."

Diálogos sinceros me interessam e ouvir essa mulher foi uma das coisas incríveis que me aconteceu em Belo Horizonte. A sua verdade cortante é a verdade de tantas outras. A sensação de incapacidade e desconexão com a vida antes dos filhos faz com que a gente não acredite que é possível realizar mais nada. É como se a gente estivesse em um túnel escuro e por mais que digam que existe luz logo ali adiante, a gente anda, anda e não vê.

Essa mesma mulher contou que havia mudado de carreira. Que abriu mão de um salário bom, de uma vida profissinal de sucesso, para ter mais tempo para a filha e que há dois meses havia aberto um brechó, que estava indo bem. Contou que na loja ela encontra outras mulheres, vivendo situações parecidas com a dela e que quando percebe, está acolhendo e sendo a força que a outra precisa. E o maluco disso tudo é que mesmo diante desse passo tão transformador para  vida dela e para a vida da filha, ela não se achava absolutamente foda.

A gente precisa se autorizar.

Precisamos olhar para nossos outros papéis além de mãe e entender que somos boas, ótimas, incríveis no que fazemos.

Precisamos reconhecer os passos pequenos como parte fundamental de um processo de mudança que é longo e contínuo.

Precisamos acreditar na nossa força e abraçar nossas fragilidades, que existem e não precisam ficar em baixo do tapete da sala, porque não são vergonha nenhuma.

Precisamos nos elogiar, de frente pro espelho, de forma sincera e segura.

Ao final da roda eu fui abraçar essa mulher e agradecer por sua história, que assim como a minha, pode ser inspiradora para tantas outras. Estávamos emocionadas e mais inteiras.