Um café para nós cinco

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Meus superpoderes tiraram férias esse final de semana e ficamos todos bem ruins aqui em casa. Começou na quinta com Teresa vomitando 8 vezes (e eu rezando para aquilo terminar porque já não tinha mais lençol para trocar!) e se estendeu até segunda-feira, quando eu acordei com dor de cabeça, dor de barriga e sem marido, que tinha viajado no domingo para começar a semana em um trabalho fora. Claro que na geladeira não tinha nenhuma fruta e a última fralda de Joaquim eu encontrei por sorte, na mochila de passeio. (Alguém se identifica?)

Pensei rapidamente que aquilo tudo poderia ser um prenúncio de uma semana bombástica e a dor de cabeça aumentou. Então, resolvi pensar novamente: porra nenhuma! Quem manda nessa energia sou eu. Vamos lá! Coloquei os menores no carro e fui até a banca de frutas e farmácia, comprei pão e pronto. João ficou em casa dando uma geral na pia de pratos do jantar, por livre e espontânea pressão. Quando voltei, estava exausta, sem forcas mesmo, mas ainda tinha que alimentar 4 crianças e eu. Anunciei: preciso da ajuda de todos. Estou me sentindo doente e cansada. Como vocês vão se dividir?

Irene e Teresa foram forrar a mesa e João ficou na cozinha comigo.

Primeiro ele tentou cortar o pão com a faca de passar requeijão e aquilo não deu muito certo, o que deu início a uma série de reclamações em voz alta, para que eu ouvisse e resolvesse o problema. Dei a faca correta e mais um pão para ele reiniciar o processo.

Teresa e Irene, entravam e saíam da cozinha pegando prato, geléia, as frutas e levando para a mesa.

- Ahhhhhh eu não sei fazer isso! Sou muito burro! (lágrimas nos olhos, muitos gestos com as mãos e uma pitada de drama leonino)

- Calma, filho. É só um pão. Concentra que você vai conseguir.

- Não sei fazer isso. Sou incapaz de cortar um pão.

- Olha, eu tenho certeza que você é capaz. Tanta certeza que vou me sentar na mesa e te esperar lá, porque, como já disse, eu tô morta e tá todo mundo com fome.

- E você não vai me ajudar??? (lágrimas nos olhos, muitos gestos com as mãos e uma pitada de drama leonino)

- Você vai tentar mais uma vez. Se não conseguir, me chama que te ajudo.

E sai, sem nem olhar para trás, para não ver os olhos revirados.

Cinco minutos depois ele chegou na mesa com 4 pães lindamente assados e me deu um para comer. Estava orgulhoso de ter conseguido e eu, feliz com sua conquista.

É mais fácil e mais rápido fazer do meu jeito, atropelar os processos e não dar espaço para eles ganharem autonomia. Mas é tão maravilhoso ter a colaboração deles, ainda mais nos dias em que estamos nos arrastando. <3 #parentalidadepositiva #equilibrioparental