O melhor da copa

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João está acompanhando os jogos da Copa de todas as formas possíveis: volta da escola ouvindo a partida no rádio, assiste pela tv (até durante o almoço, o que só é permitido em épocas assim) e claro, através dos sites esportivos. E aí, entre as manchetes com os placares e o estado do tornozelo do Neymar, ele viu a notícia sobre os brasileiros que assediaram a russa. Assustado com a palavra assédio, ele veio me perguntar o que exatamente tinha acontecido.

- Quatro homens acharam que seria divertido falar da cor da buceta da moça e ficaram gritando isso bem alto. Você sabe o que é buceta?

- Sei.

- Pronto. Foi isso. Isso não é engraçado, não é brincadeira. Isso é constragendor, é uma forma de assediar uma mulher. Isso não se faz, filho.

- E como esses caras vão ser punidos?

- Não sei se serão, filho. Infelizmente, as mulheres não estão protegidas por leis claras em relação a esse tipo de coisa.

- Mas isso faz com que eles achem que podem fazer esse tipo de coisa.

- É. Exatamente isso que acontece. Eles acham que podem fazer e que tá tudo bem.

A conversa terminou com ele pensativo. Depois ele voltou.

- Mãe, como faz para que os homens não façam essas coisas com as mulheres?

- Acho que esse tipo de conversa entre mãe e filho já é um bom começo, meu amor.

Não poupem seus filhos e filhas de verdades. Não subjuguem as informações que eles acessam. Dialoguem, se mostrem disponíveis. Tragam esses assuntos para a mesa do jantar, por mais indigestos que sejam. Respeito ao outro precisa estar na nossa pauta diária. É assim que a gente muda o mundo.

(Foto de 2014. João e Tomé, em São Paulo. <3)