Para (re) começar

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A maternidade é um troço tão poderoso e forte e transformador que muitas vezes arrasta a mulher para um lugar desconhecido. É um estágio de não pertencimento em um momento da vida onde tudo está meio caótico, bagunçado emocionalmente, nublado visualmente. Não somos mais a de antes mas também não sabemos quem desejamos ser. Entamos em simbiose com o bebê, mergulhamos em questões ancestrais, nos perdemos do nosso fio condutor.

Até que um determinado dia, depois de dar de mamar ou depois de mais uma noite sem dormir, a gente olha pela janela e percebe que não está faltando um braço, não está faltando uma perna e que, apesar de tudo, você continua respirando. A nuvem espessa vai se despedindo e os pés voltam a tocar o chão. Você se sente levemente mais segura. É o puerpério chegando ao fim.

Dessa fase você vai lembrar de poucas coisas e eu tenho certeza que se não fosse essa amnésia, a espécie humana não teria chegado até aqui. Mas algumas coisas ainda podem te acompanhar por um tempo. Essa confusão sobre quem sou eu e para onde eu vou por vezes se demoram. O trabalho já não faz mais tanto sentido, os amigos já não fazem mais tanto sentido e as vezes até o casamento já não faz mais tanto sentido. Vem uma necessidade enorme de se reiventar, re-escrever a sua propria história, mas não sabemos nem por onde começar. Eu sei. Já estive nesse lugar. E hoje, pensando sobre meu caminho profissional e minha reinveinção, percebo que quando a gente não sabe o que fazer, o melhor é começar com as nossas certezas, com aquilo que a gente sabe que faz bem, com aquilo que nos fortalece.