O relógio de dentro e aquilo que não se explica

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O mergulho muitas vezes é tão profundo, que voltar a superfície demora. Demora reencontra-se, demorar fazer sentindo novamente. Sem se dar conta, abrimos mão da nossa identidade e vivemos para nutrir um outro ser. Já não somos mais a de antes e nem temos o agora para ser outra. Vivemos em um tempo paralelo. É difícil de explicar. Porque falando assim, não é exatamente um lugar de conforto, pelo contrário! Existe um desconforto constante, com o qual nos acostumamos, por acreditar que é assim que deve ser. A maternidade é algo revolucionário, transformador mas pode ser profudamente doloroso.

Acontece que tudo na vida é fluido, passageiro, é água corrente. A gente se despende de quem éramos antes para nos (re) conhecermos fortaleza mais adiante. Nada é tão poderoso quanto uma mãe. E se você está nesse momento de desconexão profunda com quem você era, com a vida que você tinha, eu te digo: tenha paciência. A gente é capaz de reescrever nossa história, se reinventar, mas não adianta querer apressar o relógio de dentro. Tudo tem seu tempo. É importante olhar para os ciclos e perceber cada ensinamento escondido por trás de um bebê que sempre pede colo, uma relação entre mãe e filha que ficou fragilizada, um emprego que já não te preenche. As transformações começam dentro e é desse lugar que a gente tira forças, mas por hora, apenas lembre de respirar.