Sobre florescer

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Durante muito tempo (até ontem, na verdade), sempre que alguém me perguntava quais eram meus sonhos, eu respondia algo diretamente relacionando aos meus filhos. Era difícil pensar naquilo que era só meu, mesmo que fosse um sonho. Eu fechava os olhos e logo me vinha à cabeça cenas deles grandes, felizes, realizados, saudáveis. Não havia dissociação entre a minha pessoa e a deles e isso não me causava sofrimento ou angústias. Era algo absolutamente natural pensar assim.

Mas aí, veio o quarto filho. Mais uma gestação, mais um mergulho para dentro. E nessa de mergulhar e me olhar com muita verdade, eu percebi que era hora de me resgatar. A urgência em voltar meu olhar para as minhas necessidades veio junto com Joaquim. Ou eu me colocava em primeiro lugar ou eu afundaria. Era preciso diminuir a culpa, abraçar meus sonhos e trilhar meu caminho para além dos meus filhos. E mesmo diante de 4 crianças e o cenário de caos que isso pode trazer, eu comecei a me movimentar, comecei a abrir mão de estar.

Para mães mais apegadas (oi, tudo bem?) encontrar algo que faça os olhos brilharem tanto quanto ver filho criado é difícil, mas eu precisava deixar ir esse sentimento de que eu seria sempre o que meus filhos precisam. Não serei. Mas desejo ser o lugar, o colo para onde meus filhos desejem sempre voltar.