Modo reclamação

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Existe um modo reclamação que as crianças entram com certa frequência. Esse modo não tem uma hora certa ou uma fase específica da vida da criança para aflorar. Acontece basicamente o tempo inteiro e por qualquer motivo, desde que ele ou ela já consiga falar. Tem crianças que reclamam mais, outras que reclamam menos, mas todas gostam de protestar. Todos os assuntos abastecem esse modo. Eles não fazem distinção. Vale reclamar do copo que não é o verde, é o azul, se a caneca ta muito cheia ou muito vazia (alô @maezice), se o requeijão foi passado no pão todo ou era só do lado esquerdo (veja que me concentrei apenas no café da manhã). As reclamações podem ser porque tá nublado, porque tá sol. Podem reclamar que você chegou cedo ou chegou tarde de mais e para mim, uma das mais difíceis de lidar aqui em casa, é reclamar se o carro fica parado no sol e esquenta ou se fica na garagem e é longe.

Ouvir esse tanto de queixas ao longo do dia, vai mexendo no ponteiro do ego e depois da terceira reinvindicacão, a gente grita, inconformada com a falta de compreensão dessa criança. Pensamos alto (bem alto, às vezes): Não é possível.

Antes de convidar vocês para um abraço coletivo, quero propor um exercício. E se a gente deixasse de ouvir essa reclamação como uma ofensa ao nosso comportamento ou a nossa vontade de agradar, cuidar? E se a gente entendesse, que o cérebro da criança e do adolescente não funciona como eu imagino e que dentro das cabecinhas deles existe uma fantástica fábrica de pensamentos? E se eu deixasse de lado as minhas expectativas sobre como eu gostaria que eles se comportassem e simplesmente ouvisse?

Não é ignorar. É ouvir mesmo. Não é dialogar. É apenas ouvir.

Olhar no fundo dos olhos deles, se mostrar atenta e seguir.

Se a reclamação for também uma solicitação, você vai ter a oportunidade de ensinar essa criança a se comunicar de um jeito mais bacana.

Se a reclamação for também uma queixa, você vai se mostrar pronto para acolher e fazer aquilo passar.

E se for só uma reclamação mesmo, deixa ser.

Tirar o ego da equação faz com que a gente de fato esteja presente, para entender cada fala das nossas crianças. Faz com que a gente não se magoe e redirecione a atenção das crianças para o que realmente importa. Não precisamos calar os pequenos. Ao entender que a sua fala é ouvida, a criança pode buscar outras maneiras de se comunicar, que não seja através das lamentações. #parentalidadepositiva #equilibrioparental

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