Lição 2

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A segunda lição é: FURE SUA BOLHA, ou, dialogue com quem pensa diferente de você.

Sempre vejo a angústia dos pais em fazerem as melhores escolhas, numa busca insana por não falhar. Criamos uma lista de regras e boas condutas, como se estivéssemos sendo avaliados por uma entidade maior, que vai nos separar em grupos: os bons, os médios, os ruins, os pésimos. A alimentação tem que ser orgânica, a criação tem que ser com apego, a escola tem que ser montessoriana e a lista segue, infinita. Esses critérios vão nos colocando em bolhas, pequenos universos de aconchego, onde não nos sentimos ameaçados: aqui estou entre iguais e nada vai me acontecer. Acontece que se você acredita que fora da sua bolha, da sua rede de proteção o seu filho não está em constante perigo e que só você pode salvá-lo, você perde o senso de comunidade.

Quando nos propomos a estourar nossas bolhas e sair da nossa zona de conforto, a gente entende que não dá para delegar a função de ensinar valores aos filhos. Quando meus filhos não estão apenas com seus pares, seja na escola, no curso de inglês, na natação ou na rua, eu sou exigida a reafirmar o que para mim é importante, quais são as minhas crenças e pelo que vale a pena brigar e que. Irene nos pediu uma chuteira de presente, já que o tênis não cabia mais. Ela escolheu uma verde limão escandalosa e foi feliz da vida para a escola, onde uma amiguinha disse na lata: "chuteira é coisa de menino". Mas em casa, estamos fazendo nossa lição e Irene conseguiu responder: "meninas podem usar o que quiserem".

É fora da bolha que a vida real acontece. É lá onde se aprende sobre resiliência, perdão, diálogo. Sobre dor, sobre não pertecer e sobre sempre encontrar novos caminhos, porque eles existem. #parentalidadepositiva #equilibrioparental #dialogosfamilares