Ser margem

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Tenho visto meu menino crescer a passos de gigante. João começa a desejar mais liberdade e encontra na cidade em que moramos, possibilidades reais de expandir seus limites. A bicicleta tem sido a estrela dessa temporada e a cada nova quadra explorada ele volta com um sorriso largo, feliz por sua pequena conquista. Em casa, cada passo é antecedido por uma conversa às claras sobre o que pode e o que não pode, até onde e porque.

João não se contenta com pouca explicação. Na verdade, ele não se contenta e tenta, sempre que vê uma brecha, me convencer do seu ponto de vista. Temos embates que duram o tempo de um pedido de desculpas (meu ou dele), um abraço apertado e um "eu te amo, mãe".

Sei que a brincadeira está apenas começando e que uma longa adolescência se anuncia, mas acredito que até aqui construimos uma relação de muita conexão, com escuta, acolhimento e respeito. Para a Disciplina Positiva, o limite é algo que margeia, sem impedir o fluxo, como num rio. Esse limite guia, orienta o percurso, mas não impede desse rio crescer e principalmente, escolher os caminhos por onde quer seguir. Crianças precisam dessa margem, porque rio que corre sem margem, transborda. E margem que impede o fluxo é barreira, ou seja, represa e faz o rio morrer.

Não é fácil e só de pensar dá vontade de fazer o tempo voltar para aquele momento em que o meu maior medo era nunca mais dormir. De fato, não dormirei. Já prometi que serei a mãe que vai buscar e levar na balada, porque ficar perto nunca é demais. Cresce, filho. Pode crescer. Vai doer em mim e em você, mas eu preciso estar pronta.