Estou maravilhosa

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Comecei o ano me prometendo um detox. Queria ficar sem açúcar e pão por 30 dias. O objetivo? Dar uma secada para o carnaval, “limpar o organismo” dos excessos do fim de ano. 

Até que a gente foi nadar no lago e Pedro me fotografou. Quando eu me vi na tela, tomei um susto. Me achei magra. Me olhei por um outro ângulo, que não era o do espelho e fiquei pensando por que eu insistia em não achar aquele corpo bom, bonito. Que doença essa busca pelo corpo ideal! 

Entendi que precisava de um detox sim, mas de pensamentos. Entendi que não podia (e nem queria) cortar nada da minha dieta para secar. Eu precisava era cuidar de como eu me vejo. 

Auto-amor é um negócio difícil demais de praticar. Nunca estamos bem o suficiente. Tem sempre algo que podia ficar melhor, que podia ficar mais bacana, mais redondo, mais durinho. E eu não estou falando só de corpo. Lembrei da uma história de um amigo querido que muito jovem teve um câncer e enquanto lutava a sua batalha, perdeu a mãe para a mesma doença. Quando o encontrei perguntei como ele estava e ele me disse:

- Estou maravilhoso. 

Pah. Assim, bem na minha cara. 

Não dá pra gente sentir nada menos do que muito amor por quem a gente é. E se amando é que a gente se vê com olhos mais gentis, mais cuidadosos. 

Decidi ali, bem enfrente aquela minha imagem, que eu não queria mais me sentir devendo um corpo magro e empinado e que perfeito é ter o privilégio de botar filho no mundo e ver o tempo passar com saúde e amor. ️