Vai ter criança

Ter quatro filhos não é troféu. Não me dá diploma de mãe, nem carteirinha de um clube especial. Não me eleva a uma categoria melhor, não é minha profissão. Mas ter quatro filhos me coloca sim num lugar de empatia que dificilmente outra experiência me traria. Para conviver com crianças é preciso exercitar o amor na sua forma mais crua. Talvez por isso a onda de pessoas que não querem crianças por perto esteja ganhando espaço. Amar é difícil. Ser empático com uma criatura de que chora, grita, faz birra, é difícil. Mas o mundo não vai ter jeito se a gente não cuidar das crianças.

Tive quatro filhos e cuidar deles bem de perto é o meu jeito de transformar o mundo. É um trabalho braçal, que me exige muito emocionalmente, porque só posso fazer isso em equilíbrio. Só posso cuidar deles, se cuidar de mim. 

Se uma pessoa ou um lugar evita a presença de crianças, há de se admitir o desequilíbrio emocional, a dor da crianças interior, a falta de amor, de humanidade. Ninguém precisa gostar de crianças ou querer ter filhos, mas sem crianças o que nos resta é a morte do mundo, da esperança de dias melhores. E isso tá errado, não pode ser. 

O amor precisa ser maior do que o ódio. O amor precisa ser maior do que o preconceito, o amor precisa ser maior. E se depender de mim, vai ter crianças sim.