O quarto elemento

Lembro da chegada de Irene e do impacto que isso teve no João, até então, filho único. Ele tinha 4 anos e dividir a mãe, o pai e o espaço, obviamente não foi fácil. A mudança se apresentou em forma de choro, que surgia sem motivo aparente. Lembro também da minha necessidade que ele crescesse. Eu precisava que ele não precisasse mais tanto de mim, que se virasse, ficasse mais independente. Esse meu desejo com certeza empurrou meu filho pra frente, mesmo causando certa dor para ele. Sim, mães causam dor e não tem como escapar disso. Um salve para psicólogos, terapeutas e psiquiatras!

Quando Teresa nasceu, essa bagunça sentimental me pareceu menor. (Posso descobrir daqui há alguns anos que essa foi apenas a minha impressão e que para João e Irene foi foda, mas hoje não é assim que vejo). Acho que os dois ficaram bem com a chegada de mais um integrante na família. Irene passou de caçula para irmã do meio muito rápido, sem chances ou maturidade para processar aquela perda. Eu tinha em casa dois bebês de fralda e isso foi muito cansativo, mas foi e é lindo ver a relação das duas. É lindo também ver João construindo as pontes com as irmãs, dentro do seu tempo.

Joaquim chegou sem poder exigir muita coisa mas me mostrou a enorme capacidade de acolher e amar que seus irmãos têm. João, Irene e Teresa receberam o irmão de coração tão aberto, que emociona. Ver eles bem, equilibrados emocionalmente, me fortalece. Claro que isso não me livra de choros e birras, mas no geral, percebo que esse quarto elementinho trouxe uma cola, um grude ainda maior entre nós e isso é reconfortante, diante do caos natural que é a vida com 4 crianças. Que bom, Joaquim. Que bom. #nodramamom