Nasceu

Não deu tempo. Não deu tempo de encher banheira, afastar a cama, montar o equipamento. Não deu tempo de pegar a câmera e nem de acender velas. Na verdade, quase não dá tempo da doula e das parteiras chegarem. Quase, quase mesmo que Joaquim nasce só na presença de Pedro. 

Na quinta-feira eu fiz yoga no parque e à tarde fui na acupuntura, busquei João no futebol e a vida seguia normal. 

Demos banho nas meninas, sentamos para jantar e eu comecei a sentir algo diferente. Eram 8:30 quando anunciei que as cólicas estavam fortes e que eu achava que Joaquim podia nascer naquela madrugada. Mandei mensagem para a equipe (doula e parteiras), fui tomar banho e Pedro foi botar as meninas para dormir. Sentia que a cólica estava forte e pensava na logística do parto: tinha que afastar a cama, encher a banheira, acender velas, pegar a câmera. Fiquei debaixo água, vocalizando e sentindo tudo aquilo. Até que: bolsa estoura. Chamei Pedro e pedi para avisar no grupo. Eram 9:30. Ele avisou e ficamos juntos. A dor veio forte e eu me apoiava nele. Até que: tampão. Tira foto e manda no grupo. Mais dor. Olhei para Peu e disse que estava muito forte, mais do que no parto da Teresa. Ele me dizia para respirar e que tava tudo bem. Mais dor. Voltei para a água. Respira. Vocaliza. Respira. Senti frio, quis sair da água. Vou para cama e me deito de lado. Dor de expulsar, empurrar. Olhei para Pedro e disse: vai nascer. Fechei os olhos e tive medo. Sabia que aquela dor era o final, mas como, se tinha acabado de começar? Entreguei. Aceitei. Confiei. Empurrei. Vi que a equipe chegou. Estava segura. Estava tudo bem. Joaquim ia nascer. Vem, filho. Silêncio, pouca luz. Vontade de fazer força. Muita força. Coroou. Saiu a cabeça. Na próxima. Nasceu. Eram 22:48 e eu agradeci. Tinha renascido. Estava tranquila e as crianças continuavam dormindo. Um bebê no colo, uma equipe incrível e um marido foda ao lado. A vida é boa e parir é mágico.