Chorando e mamando

A maternidade desperta em nós um espírito competitivo, algo meio primitivo, que não dá para ser explicado racionalmente. Nos tornamos nossas próprias adversárias e entramos em guerra contra nós mesmas. 

Nessa minha primeira semana como mãe do Joaquim, meu quarto filho, encaro um novo desafio: ensinar o meu bebê a mamar, a abrir a boca do jeito certo, a posicionar sua língua em baixo do meu peito, caso contrário, corro o risco de ter meu mamilo arrancado fora. E se nesse momento você fechou o olho e sentiu minha dor, sinta novamente, porque é a pior dor que já senti. Esqueça a dor do parto - seja ele qual for. A dor de uma pega errada e de um mamilo ferido é indescritível. 

Nesses 8 dias eu já pensei em desistir algumas vezes, simplesmente por não entender a razão para tanto sofrimento. Mas aí, sou arrebatada por minhas crenças e tudo passa. Até a próxima mamada. E assim, está estabelecida uma relação de competição entre a dor e a vontade de superar essa barreira. Entre a praticidade de uma mamadeira e a minha falta de maturidade para lidar com a culpa. 

Fato é que não existem culpados. Não existe melhor ou pior decisão. Não existe melhor ou pior mãe. Qualquer mulher que passa por uma situação em que não pode, não consegue amamentar ou não quer amamentar, precisa não do nosso julgamento, mas de um abraço bem apertado e de pessoas dispostas a ajudar. 

Por aqui, sigo tentando, entre muito choro, pomada e ordenha, até o meu limite, repetindo o mantra: vai passar.