Quando nasce um bebê

Alô revistas, blogs e perfis no instagram: quando nasce um filho, não nasce uma mãe em busca do corpo perfeito. Não importa quantos quilos você ganhou e nem em quanto tempo vai perder. Isso, na verdade, é o que menos interessa depois que um filho nasce. Alerta de spoiler: a sua barriga vai ficar mole e pendurada, seu peito vai ficar quente e cheio de leite (se a Deusa quiser!) e seu cheiro vai ficar misturado com aquele azedinho do bebê, que tem toques de gofo, leite e suor e você vai achar isso lindo. Quando nasce um bebê, nasce uma mãe que vai precisar de ajuda para entender tudo o que está acontecendo com ela, inclusive, as mudanças desse corpo.

Quando nasce uma mãe, não nasce uma dieta. Não nasce uma empreendedora, não nasce uma felicidade. Pelo contrário: nasce um vazio. Um medo gigante. Quando nasce uma mãe, não nasce uma cozinheira de papinhas orgânicas, não nasce uma artesã, não nasce uma youtuber querendo compartilhar tudo o que está acontecendo.

Tenho ouvido muitas, muitas mulheres falando sobre o puerpério e as dificuldades de nascer junto com seu bebê. A maternidade é o processo mais poderoso de transformação que uma mulher pode passar, mas também o um dos mais tortuosos. Abrir feridas, resgatar traumas, encarar o desafio de alimentar um outro ser humano, ser responsável pela vida de alguém que não é você.

Mas como receber esses sentimentos tão negativos, diante do momento mais feliz da vida? Para mim, a resposta está na aceitação do processo e em simples pedidos de ajuda. Essas dificuldades fazem parte, mas a gente não entende isso. Queremos resolver. Queremos  nos livrar do problema o quanto antes. Essa angústia diante do desconhecido pode tomar proporções maiores do você e saber pedir ajuda (médica, de amigas, do marido, da mãe, de uma desconhecida) é fundamental. Às vezes, visitas regulares resolvem, mas tem momentos que só um remédio pode nos trazer para a luz e isso não precisa ser motivo de vergonha.

Vamos falar sobre o puerpério, vamos falar sobre nossas dificuldades, vamos olhar com mais amor para uma mulher que dá a luz. Isso pode gerar uma corrente de amor, forte e poderosa, que transforma esses primeiros meses em algo menos doloroso ou solitário. Isso pode encorajar mulheres a contarem suas histórias e assim, serem espelhos para outras. Porque o bom, é que tudo isso passa. #nodramamom

PS: Na foto, eu e João. De lá pra cá, tantos aprendizados...