O novo conto do vigário

Alguém com muito tempo livre disse que "quando nasce uma mãe, nasce uma empreendedora". A partir daí, ter seu próprio negócio se tornou a tábua de salvação para aquelas mães que não conseguiam voltar ao mercado de trabalho e queriam mais tempo com seus pequenos. Empreender parecia a receita mágica para equilibrar trabalho e qualidade de vida, horários flexíveis com a demanda das crianças, se re-descobrir profissionalmente e também exercer o papel de mãe com mais dedicação e ainda ganhar dinheiro. 

Afinal de contas, uma mãe consegue dar conta de tudo, certo? 

Errado, minha amiga. Muito errado. 

Quem decide abrir o próprio negócio entende rapidamente que sem dedicação (de tempo mais do que de dinheiro, muitas vezes), as coisas não funcionam. Um sentimento muito natural entre essas mães é que elas estão trabalhando muito mais do que antes. E estão. 

O negócio próprio precisa ser encarado como um trabalho normal, o qual toma pelo menos 6 horas do seu dia. Mas o que geralmente acontece é que nesse período, além de trabalhar, a gente quer também brincar com o filho, fazer almoço, dar banho, botar para cochilar. Mas é impossível dar certo? Não, nada é. Mas não é fácil como alguns insistem em dizer. 

A possibilidade de criar algo seu, é um grande privilégio e ele não precisa ter nada a ver com o universo infantil. 

Então, se você está pensando em largar tudo para empreender depois que seu filho nascer, acredite: você vai precisar de tempo. Você vai precisar de ajuda. Saber disso é fundamental para que o coração fique mais tranquilo. Entender do que você pode abrir mão também ajuda. Muitas vezes a tal flexibilidade de horários tão sonhada, significa menos ou nenhum dinheiro no fim do mês. E aí, tudo bem por você? 

Não caia no conto do empreendedorismo materno sem se questionar. Se quiser empreender, vá fundo. Mas saiba que o caminho é longo e a estrada é difícil. #nodramamom