A diferença entre ser e estar

Ter filhos é a chance de observar os diferentes padrões de comportamento das pessoinhas e assimilar, com mais facilidade, que ninguém é igual a ninguém. Na teoria a gente já sabe disso, mas na hora de respeitar essas individualidades, é que enfrentamos os nossos preconceitos e dificuldades como pais. Como se não bastassem nossos padrões, ainda buscamos atingir os padrões da sociedade e aí, surgem as frustrações e os rótulos.

A criança que chora, a criança aventureira, a criança que bate, a que morde, a que divide, a que come bem, a que dorme a noite toda, a educada, a tímida. Não colocar nossas crianças em uma ou mais dessas caixas é algo difícílimo, simplesmente porque não entendemos os problemas que existem em falar ou ressaltar o que acreditamos ser características dos nossos filhos. Esquecemos que eles não são, eles estão. Crianças são moldes moles, abertas, livres. Quando a gente insiste em dizer que eles são assim ou assado, estamos tirando deles a chance de serem o que eles quiserem. Se a gente ampliar esse pensamento, temos a possibilidade real de criamos adultos mais fortes, seguros, tolerantes e menos preconceituosos.

Imagina uma criança crescer ouvindo que tudo bem ela ter a profissão que ela escolher? Que tudo bem ela chorar quando estiver triste? Ou que tudo bem ela ter medo. Para a criança que bate, o que será que ela está querendo te mostrar e como você pode através da firmeza e do amor ajudá-la? Imagina uma criança crescer ouvindo que tudo bem menino namorar com menino ou menina namorar com menina? Imagina uma criança crescer ouvindo que não existe coisa de menino e coisa de menina? Imagina uma criança crescer sendo amparada e acolhida em todas as suas fases e dificuldades ao invés de ter sempre o dedo apontando o que ela fez de errado? Imagina a gente não se gabar das facilidades e esconder os conflitos que enfrentamos com nossos filhos?

Nenhuma criança é perfeita. Nenhuma criança vai atender a todas suas expectativas. Você vai enfrentar momentos mais tranquilos e turbulências gigantes quando resolver ser pai e mãe. E não, eu não estou falando dos da montanha russa do primeiro ano. Estou falando dos problemas daqueles que decidem criar e educar crianças. Não é fácil. É extremamente desafiador, todos os dias. E a tal da recompensa? Bom, quando eu chegar ao fim do arco-íris, eu conto para vocês. Por enquanto, me satisfaço em acordar recebendo muitos beijos e abraços dessa turma aí. #nodramamom