Somos 6

Eu escuto todo tipo de comentário quando falo que estou grávida do quarto filho. Já me perguntaram se eram todos do mesmo pai, se foram planejados, se eu iria ligar, se eu queria mais um. A curiosidade das pessoas é algo insaciável e eu me propus a responder, sempre que meu humor permite, cada uma das perguntas mais indiscretas. Agora nessa reta final eu tenho tido pouca paciência, confesso e não aguento mais ouvir: nossa, como você é corajosa, seguido de uma cara de deus me livre. Sim, porque tem o “nossa, como você é corajosa” que vem seguido de uma cara de admiração, de carinho, de “poxa, que massa”. Mas essa cara de deus me livre, a pessoa pode guardar para si, porque eu não preciso dela.

Não acho que o que orienta a minha decisão e vontade de ter 4 filhos tem a ver com coragem. Sinto que tem a ver com amor, com propósito, com troca, com doação, com cuidar. Sinto que tem a ver com ser casada com um cara por quem eu sou perdidamente apaixonada e com quem eu pretendo envelhecer, o que facilita a minha maternidade. Não sinto que essa é a minha missão ou um dom divino, nada disso. Esses filhos são, antes de qualquer coisa, uma escolha muito consciente, que reafirmam a forma como eu encaro a vida e as coisas nas quais eu acredito.

Eu acredito que o amor e a presença são transformadores. Eu acredito que pai e mãe dispostos a ouvir seus filhos podem revolucionar uma geração. Eu acredito que dialogar com esses pequenos é a melhor forma de fazer política. Não espero nada deles, só o compromisso de serem pessoas bacanas e verdadeiras com suas vontades, mesmo que sejam muito diferentes das minhas.