A dor da mãe

Participei semana passada de um curso sobre hipnoparto, que é uma técnica de auto relaxamento para aliviar a dor do parto. Não, o curso não entrega uma receita que vai tirar a sua dor na hora de parir, mas ele te faz acreditar que SE você se mantiver no controle do seu corpo e principalmente da sua respiração, é possível afastar o caos que a dor provoca e com isso, fazer parecer doer menos. Eu adorei e super indico, mas a verdade é que parir dói e uma das coisas que a gente mais escuta das mulheres grávidas é que elas têm medo da dor. As mais radicais, acabam marcando suas cirurgias afirmando que não querem nem sentir dor e acreditam piamente que a cesárea é a solução para isso.

A dor da maternidade vem para todas nós, independente do tipo de parto que escolhemos. Ser mãe dói e dói em pontos que a gente nem sabia que existiam dentro de nós. Sendo assim, não tem cirurgia nenhuma que vá te proteger disso. Aceite.

Muitas tentam entender essa dor -  É aguda? É para dentro? Dói quanto? - Como se dor fosse algo passível de medição. A dor do parto não se mede porque ela é uma dor diferente de qualquer outra. Não é a dor de morte, não é a dor de perda, não é a dor de nada que você já tenha sentido anteriormente. É uma dor de vida, de corpo mudando, de corpo se abrindo, de bebê chegando. É uma dor sem romance, sem floreios. Talvez seja a maior dor da sua vida e com certeza, a melhor.

Para quem está com medo dessa dor, sinta esse medo até o fim, acolha, abrace, olhe para ele e diga: vamos juntos? Ele é real. Mas ele não precisa te paralisar diante da escolha sobre como deixar vir ao mundo o seu filho. A dor faz parte, é algo natural, assim como parir. Nós, mulheres, precisamos nos abrir para a nossa natureza, encará-la e assim, mudar um pouco o triste cenário do nascer que existe no Brasil, que é o país com o segundo maior índice de cesáreas do mundo. Não é possível a gente tolerar esse dado e ser intolerante a uma dor tão especial.