Eles crescem

O primeiro mês de vida de um bebê pode ser comparado à passagem de um furacão. É peito rachando e depois vazando, é barriga mole, é noite sem dormir. É um ser com proporções tão pequenas que fazem tudo parecer perigoso. São hormônios e emoções à flor da pele, são muitas e infinitas transformações. Se você está nesse exato momento da sua vida, eu te garanto que existe uma luz no fim do túnel e tudo isso que você está sentindo vai passar. Pode demorar um pouco mais, ou um pouco menos, mas vai passar. Acredita.

A questão é que depois de acostumar com o bebê, ele cresce. Se transforma numa criança e aí outros tantos desafios surgem, outras tantas emoções aparecem. É nesse momento que você entende que a vida se transformou em um grande jogo de videogame e que importante mesmo é chegar no próximo estágio são e salvo, de preferência com alguma reserva de vida para dar conta dos novos inimigos.

Sim, passa rápido. Tão rápido que chega a doer. Mas ver as transformações dos filhos é algo mágico, emocionante. Hoje sou mãe de um menino de 8 anos. Um cara muito massa, com quem eu troco e tenho altos papos. Um cara que me questiona, me faz rever posturas e reafirmar outras. Um mocinho que está sendo criado para respeitar as diferenças e entender que o mundo precisa ser um lugar de mais tolerância. Um menino que está sendo educado para respeitar as escolhas dos outros e não ser preconceituoso. E olha, isso tudo dá tanto trabalho quanto aqueles primeiros dias do início e pode ser tão enlouquecedor quanto o momento da sua chegada.

Não é fácil estar totalmente aberto para o diálogo, não é fácil explicar sobre pobreza, ganância, golpe, transgêneros, parto humanizado, política, falta de grana, valor da presença, papel social do Neymar ou a relevância do Barça para o futebol de várzea no Brasil, mas todos os dias eu tento. E só de ver seus olhos pensando em tudo o que eu falei (e gente, como eu falo!), eu sinto que estamos num bom caminho. #nodramamom