Sem sinal

Por aqui, combinamos que celular em restaurante só pode depois que comer tudo. Ele não sai nem da bolsa, para ninguém cair em tentação. Também não pode quando estamos em programas ao ar livre. Tem que brincar e ponto final.

Mas Lua, isso cansa muito!

Cansa mesmo. Ter filho cansa. Educar cansa mais ainda.

Vivemos na era da tecnologia e poucos de nós largam tudo e fogem para as montanhas. Não dá para negar a força dos aparelhos eletrônicos, mas dá sim para controlar a sua presença em nosso dia a dia. Começa na gente.

Começa quando a gente passa a não ter vergonha de criança que fala alto, ou faz uma certa bagunça na mesa, enquanto espera a comida. Começa quando a gente entende que está no job description de ser pais, que é preciso levantar e ir brincar no parquinho do lugar, mesmo que você queira muito tomar uma cervejinha. Começa quando a gente se propõe a conversar com as crianças, ouví-las. Começa quando a gente entende que podemos criar brincadeiras com uma folha de papel e uma caneta. Começa quando a gente entende que é simples. Reclamamos e esperamos que nossos filhos não assistam aos jovens youtubers, mas o que estamos fazendo para que isso não aconteça? Dizer não não basta.

Eu entendo que faz parte das conquistas das novas gerações e que a conversa não começa com “no meu tempo não existia isso”. A questão é o excesso, é a falta da capacidade das crianças de lidarem com o tédio, com a falta do que fazer. Eu acho isso assustador e tenho combatido com unhas e dentes por aqui. O tédio é bom e eu não sou a Disney. #nodramamom

(Na foto, Irene e Teresa brincam de roda no meio do restaurante com as bonecas. Depois eu tive que me levantar para brincar também e depois, foi a vez de Pedro. Ufa)