Herdar > comprar

“ A gente tem o suficiente - provavelmente até mais - mas não vem se dando conta.” Foi assim que comecei meu dia hoje. As palavras vieram de presente, embrulhadas em papel de newsletter da @oficinadeestilo. O assunto era roupa, consumo e o quanto a gente anda no piloto automático, quando o tema é comprar, deixando de exercer a criatividade no vestir e claro, detonando o planeta. Aquilo me pegou.

Fui uma mãe que fez enxoval em Miami para a chegada da primeira filha. Irene foi recebida com um guarda-roupa de gente grande, com coleção de sapatos e roupas até ela completar um ano. Tudo novo, tudo lindo. Teresa, obviamente, não teve o mesmo destino. Eu brincava que até a chupeta seria herdada da irmã. Duas histórias, dois aprendizados. Um abismo entre uma mãe e outra, sendo que era a mesma.

Sei o quanto o ritual de arrumar as roupinhas do bebê é importante, mas aprendi que o exagero é o sentimento que conduz esse momento, mais do que a emoção. A lista das necessidades de um recém nascido é algo descomunal e a mãe, uma vez que recebe a informação de que aquilo é o essencial, só sossega depois que encontra os 12 paninhos de boca, as 90 fraldas de pano, os 12 cueiros, os 48 bodys e as 98 calças, porque calça suja mais. Calma, respira. Sei que não vai fazer tanto senti assim, mas eu JURO que seu bebê vai ficar bem com muito menos. E isso vale para a vida toda.

Entender que já temos o suficiente - provavelmente até mais - é o primeiro passo para ensinar isso aos nossos filhos. Não é fácil. Mas é urgente.

Ir para Miami e aproveitar as ofertas é legal? Claro que é. Mas não é necessário. Herdar roupas de bebês amigos pode ser muito mais emocionante. Brincar com uma boneca até ela se desmanchar, pode ser muito mais marcante do que um quarto inteiro de brinquedos. Usar uma chuteira até ela não caber mais, pode ser muito mais construtivo do que ter os 6 modelos. Criança não nasce sabendo comprar. Somos nós quem ensinamos. E como ninguém vive na floresta, a questão não é parar de comprar, mas sim perceber como usa o que já tem. Despertar a nossa consciência e dos nossos filhos, para ver se o planeta dura mais um pouco. #nodramamom