Minha pequena

Bebês já nascem precisando cumprir metas: apgar, peso, tamanho, circunferência da cabeça. São números que indicam saudabilidade e também padrões normativos. 

Com pouco tempo de vida é esperado que bebês não chorem e durmam 8 horas seguidas. Depois acontece a maior sucessão de metas a serem batidas, no menor espaço de tempo, como se os bebês fossem vendedores da Ambev: comer sólidos, andar antes de um ano, desfraldar antes de 2 e, claro, falar. Soma-se ainda as curvas de crescimento e peso. Não pode ser para mais, nem para menos, pois bom mesmo, ou normal, é ser na média. 

Teresa nunca foi na média: nasceu com quase 42 semanas, mamou mais de dois anos, andou com nove meses, falou com um ano, desfraldou sozinha, sem nem fazer alarde. É uma menina engraçada, leve, esperta, mas... Não cumpre as metas exigidas. Está abaixo da curva de crescimento, é pequena. E eu, ao invés de lembrar de tudo o que ela é, fico me apegando a um gráfico. 

Não, parei. Não posso continuar a olhar apenas para o que ela não é. Isso não é justo com todo o resto. 

Teresa, mais uma vez, me faz pensar que controle é para os fracos e é que importante mesmo é acreditar no tempo das coisas.