Médicos com fronteiras

As discussões políticas entraram na pauta e na vida das crianças com todos os últimos acontecimentos e o que temos visto é um show de horror. As famílias validam seus argumentos raivosos diante de meninos e meninas curiosos e a reprodução do que se escuta em casa carrega a mesma raiva, só que em corpos menores. É como se o áudio não combinasse com o vídeo. É feio e triste.

Nesse embate, quem sai perdendo, claro, é o lado mais fraco, o das crianças. Sei que é natural para um filho escolher “o lado do pai e da mãe” e não há problema nenhum nisso. Cabe aos grupos sociais, no caso das crianças, a escola, uma tentativa menos parcial e passional de colocar fatos e argumentos de maneira mais elucidativa. É preciso tirar do vocabulário dos pequenos, palavras como vaca, puta ou gorda como argumentos para qualquer coisa. É preciso mostrar que não se deseja a morte de ninguém, como forma de impor a sua vontade. Parece simples, mas não é.

Passado isso, é fundamental exercitar o respeito ao que é diferente de mim. E aí, sai de cena a política e entra no seu lugar a questão humana. Dias atrás, uma médica se recusou a atender o filho de uma vereadora do PT. A médica atendia a criança desde seu nascimento, mas agora, diante do cenário, acho que aquela criança não era mais digna de toda sua sabedoria e rompeu via whatsapp com a mãe. Se você acha que a médica tem o direito de não atender a pequena paciente, faça o exercício de se colocar no lugar da mãe e mais uma vez, esqueça a política. Complete a frase com a palavra que você achar melhor e veja se faz algum sentido:

 

 

A médica não atendeu a criança porque a mãe dela era __________________

(  ) Negra

(  ) Gorda

(  ) Evangélica

(  ) Doméstica

(  ) Católica

(  ) Umbandista

(  ) Espírita

(  ) filiada ao PMDB


Nenhuma das respostas anteriores completa a frase corretamente. A médica não atendeu a paciente porque ela, a médica, é uma mulher absolutamente preconceituosa e intolerante. E expor uma criança de um ano a esse sentimento não é humano. #nodramamom