Piloto, músico, jogador, filósofo.

O facebook me lembrou hoje que João já teve outras obsessões além de futebol. Houve um tempo, não muito distante, em que meu menino só queria saber de carros. Tudo começou antes dos dois anos. Ele parecia aquelas crianças que vão no Raul Gil e ficam falando coisas que adultos falariam. Ele sabia o nome de todos os carros e suas respectivas marcas. Era engraçado e a gente, claro, se amostrava bastante:

– Que carro é esse filho? 

– Um Gol, da Volkswagen.

Quando ele descobriu o McQueen e sua turma, o mundo se transformou em uma grande pista de corrida. Ele amava o desenho e seus personagens. Lembro que fiz uma viagem e trouxe tudo o que existia de Carros. Irene estava perto de nascer e aquele impulso consumista era claramente um grande sentimento de culpa. 

O tempo passou e vieram outras modas. Teve a época da música é essa foi a mais incrível. Ele tinha dois anos e seu DVD preferido era Eric Clapton. Juro. Era demais. Vivia com uma guitarra pendurada no pescoço e transformava tudo em bateria. Acelerando a linha do tempo, veio a copa do mundo e plim, João descobriu o futebol. 

Do alto dos seus sete anos, ele conversa sobre contratações europeias, desempenho dos jogadores de todos os times, profissionalismo dos técnicos de futebol. Assiste com muita atenção aos programas jornalísticos sobre o tema e já tem traçada a sua carreira profissional: será jogador e quando se aposentar, técnico ou comentarista. 

Eu observo tudo com atenção. Ora com muita paciência, ora sem paciência nenhuma (vamos combinar que futebol 100% do tempo cansa). Ouço sobre as novidades dos times e lances incríveis, segundo ele. 

Depois de mais de um ano do fim da copa do mundo, começo a achar que essa obsessão está indo longe demais e talvez, seja uma dessas coisas que veio para ficar. Será? Com criança não dá para saber e com João, muito menos. Ontem ele teve a primeira aula de filosofia e adorou. Disse que de tanto que ele pergunta, já é praticamente um filósofo. Vai vendo. #nodramamom