Mãe&feminista

Li um artigo essa semana que trazia uma declaração da Beyoncé (musa mor por aqui), sobre suas maiores conquistas e realizações. Entre tantos prêmios (mais de 20 grammys) e feitos na carreira, a cantora afirmou que ser mãe era a coisa mais grandiosa que já tinha lhe acontecido e a resposta parece que não agradou.

De maneira muito sutil, o artigo sugere que seria mais bacana se Beyoncé tivesse respondido equilibrando suas conquistas profissionais com a maternidade e se espanta com o fato de mulheres tão poderosas reproduzirem um discurso de que é na maternidade onde acontece a grande virada femina, que essa é uma idéa que nos foi imputada de forma tão forte, que levamos para a vida, sem muito refletir sobre ela.

Eu li aquilo e fiquei como a Glória Pires, sem saber opinar. Conversei um pouco com Pedro, mandei email para duas amigas queridas (e inteligentes) e claro, resolvi escrever um texto. Vai que alguém me diz algo interessante que me tire desse limbo feminista no qual me encontro…

Óbvio que a matéria me pegou de jeito porque, sim, a maternidade se tornou a minha grande conquista. Eu me transformei com a chegada das crianças, me revi e estou num processo intenso de mudanças, inclusive profissional (novamente). Larguei tudo para ser mãe e hoje me dedico quase integralmente a eles. Depois de muito me angustiar com esse fato, percebi que ser mãe é o que eu faço de melhor e, calma, não estou dizendo que sou a melhor mãe, não é isso. Mas descobri o que maternar significa pra mim. Entendi que tem a ver com o colo, com ouvir, com abraçar e, cara: eu SEI fazer isso.

Mas será que esse sentimento é meu ou me foi dado e eu aceitei por ser o esperado para as mulheres? Será que eu posso ser genuinamente feliz e completa através da maternidade ou eu preciso ter realizações profissionais para equilibrar a balança? Será que criar pessoas bacanas, num ambiente de amor e dedicação, não é digno de merecimento, de admiração? Ou para isso é preciso estar dentro de uma corporação, ter um cargo incrível e viver a angústia da maternidade ausente?

Entendo o quanto é machista a quase obrigação feminina de casar e ter filhos, como se isso validasse o papel da mulher na sociedade. Não, esse não é o único caminho da felicidade, aliás, em muitos casos está mais perto da infelicidade, porque ter filho não é fácil. Mas para aquelas que encaram a maternidade de peito e coração aberto, porque essa pressão para dar conta de tudo (carreira, educação, presença, casamento?). 

Não sei. De verdade.

O que sei é que valorizo demais as conquistas femininas e sou absolutamente solidária as questões do movimento. Não quero parecer uma idiota questionando o feminismo, novamente, não é essa a questão. Acho a dúvida um excelente caminho de crescimento e amadurecimento e aqui está a minha, exposta. 

Alguém me ajuda?

#nodramamom