Minhas meninas

Estava na padaria com as meninas e Teresa brincava de levantar o vestido e cobrir a cabeça. Um moço, vendo a cena, olhou para ela e disse: "você é uma menina bonita, não pode ficar levantando o vestido".

Ele tinha a melhor das intenções e isso estava claro. Por isso, não quis combater. Apenas acelerei o processo e saí. Mas aquilo me incomodou profundamente. Não tem nada de errado em uma criança levantar o vestido. Ou tem? Fiquei pensando nisso, até que me chegou um post de uma mãe que não conheço, relatando que a filha de 4 anos estava indo com ela para a escola (vestida, obviamente) quando um senhor, um vizinho, olhou para a mãe e comentou que a garotinha tinha pernas muito bonitas.

Na mudança de cidade, deixamos para trás um belo quintal. Trocamos por uma praça linda, que fica a 10 passos de casa. Para as pequenas, elas continuam tendo um quintal, só que muito maior agora. E mesmo que eu insista em colocar uma roupa para descer, a primeira coisa que elas fazem ao botar o pé na areia, é tirá-la para brincar de calcinha.

Acontece que eu não posso achar que é errado elas quererem brincar de calcinha. Não posso ensinar a minhas filhas que elas não podem se vestir do jeito que elas bem entendem. Não posso perpetuar o pensamento de que (boas) meninas são comportadas e se vestem de maneira “adequada”, para não chamar atenção. Isso está errado.

Fiquei bem atordoada com tudo isso e só lembrei da campanha #meuprimeiroassedio das incríveis mulheres do @thinkolga. Não sei o quanto vou conseguir proteger minhas meninas de todo esse horror que é ser assediada, mas posso me comprometer a estar perto delas (durante a infância) e formá-las mulheres fortes e seguras para combater qualquer tipo de violência que puder acontecer. Elas precisam entender que a culpa jamais será delas. #nodramamom