O que importa de verdade, é pouco.

Somos sobreviventes. Passamos por carros sem cadeirinhas ou mesmo cintos de segurança. Assistimos muita tv, no meu caso específico muito Xou da Xuxa. Comemos todos os salgadinhos da Elma Chips e biscoitos com recheio de morango. Tivemos aula de moral e cívica, estudamos em colégios de feiras e padres. Ficamos muito de castigo e até levamos algumas palmadas. Brincamos de barbie e os meninos de comandos em ação, numa divisão binária, como azul e rosa. Tudo bem que depois da Pakalolo as coisas ficaram mais coloridas.

Tinham mães que trabalhavam fora, tinham mães que ficavam em casa, mas não parecia existir uma guerra entre elas. E os pais? Bom, os pais só trabalhavam mesmo.

Não se falava em comunicação não violenta e a gente cresceu ouvindo esporro. Existia uma caretice no ar, o mundo parecia ser um lugar distante e viajar para fora do Brasil era algo para pessoas muito ricas. Ter algo importado era o máximo. As roupas para criança, na verdade, pareciam de adultos e o sonho da adolescência era ter uma calça “de marca”.

As famílias não eram exaltadas por cuidar de seus filhos. Fazer isso era parte de uma obrigação “natural”, um caminho que se percorria sem muito pensar. Filhos não eram fardos, eram parte da história de seus pais.

Hoje a Helen Ramos me deu essa música como bom dia, pelo facebook. E eu (acho que por conta da gravidez) dei uma choradinha. Fiquei pensando na loucura que é a vida com crianças, no quanto minha mãe foi foda, o quanto que a gente precisa de pouco. Pensei que o melhor, a coisa mais valiosa que os pais podem deixar para seus filhos, são as lembranças, inclusive dos períodos mais difíceis. Isso é muito poderoso. E que claro, ter irmãos é muito genial. Te amo, sis. <3