O trabalho do pai

Outro dia, numa conversa com alguns pais, eu chorava minhas pitangas sobre a dificuldade de achar escolas legais e aí um deles me soltou a pérola: "a escola dos meus filhos não pode me dar trabalho. Fico fora da cidade de segunda a sexta, não tenho como me envolver". O outro emendou: "é, pra mim também é complicado, porque meu trabalho não é moleza". Fiquei pensando qual trabalho é moleza. Em qual empresa você entra e eles dizem que ali é o lugar perfeito para você, que deseja exercer a sua paternidade do jeito que ela deve ser exercida. Bom, sejam fortes mas essa empresa, esse lugar, esse trabalho, ele não existe. E se você não brigar por ele, ninguém vai. 
Fiquei pensando nas mulheres e nas suas relações com seus trabalhos. Tenho certeza que para elas também não é moleza. Mas mesmo assim, elas se atrasam para reuniões, faltam para levar os filhos aos médicos, desmarcam compromissos para ver apresentações de fim de ano. É assim que é. Mas podia ser ser diferente, se os companheiros ou pais, entendessem que essa é uma das tantas outras responsabilidades de ser pai: estar presente e dividir as atividades dos filhos com a mãe. É uma equação simples de resolver se você, o pai, achar que vale a pena. Tem que se indispor com chefe para buscar filho na escola? Tem. Tem que se atrasar para reunião porque o médico não atendeu na hora? Tem. Tem que ir ver a natação, uma vez no ano, sem ficar mexendo no celular? Tem também. É simples de entender: filho é compromisso. 
Mas se o pai não entender isso, não é a empresa e nem ninguém, que irá. Além disso, vamos combinar que esse modelo de pai que vive para o trabalho mas chega para dar boa noite aos filhos é cafona e fora de moda, né? #nodramamom