Aceite: você é linda

Minhas primeiras estrias surgiram quando tinha aproximadamente 11 anos. Passei por um estirão de crescimento e logo cedo conheci essas marquinhas. Elas se alojaram na região do bumbum e lá fizeram morada. Durante os anos que se seguiram, travei fortes batalhas com essas danadas e era assídua no consultório da dermatologista, para tentar “melhorar a aparência”, como se dizia.

Na adolescência, a vergonha de ter uma bunda toda riscada sempre me atormentou. Eu era a do time dos shorts e cangas. E para tirar era um suplício. Mas acontece que aquilo não parecia muito comigo. Eu era a menina descolada, a bem resolvida, a destemida. Então, por que cacete eu ia ficar com vergonha de algo que era meu, que estava ali comigo?

Decidi que eu e minhas estrias iríamos ficar em paz. E ficamos. Botei o biquini de lacinho e fui ser feliz. Sabe o que mudou depois disso? Nada. Porque ninguém notava tanto aquelas estrias quanto eu mesma. Minhas melhores amigas continuaram melhores amigas, paquerinhas continuaram paquerinhas e eu, fiquei melhor, mais segura (quase insuportável, eu diria. Hehehehe).

Elas não são exatamente bonitas, eu sei disso, mas a gente não pode tratar nossos traços estéticos como desvio moral de conduta. Eu não preciso querer a todo custo acabar com celulites, me livrar de gorduras localizadas, apagar as estrias, como se tudo isso dissesse mais sobre mim, do que o jeito como eu levo a vida ou trato as pessoas. Querer se cuidar é sensacional, mas eu não aguento mais dicas nas revistas, blogs e sites de como me livrar de algo que na verdade, não faz mal a ninguém.

Essa quarta-feira as minhas amigas (#amo #soufã #sotenhoamigafoda) @daniarrais e @luizavoll realizam um evento sobre aceitação do corpo e como a internet nos ajuda a encarar o espelho. Junto com elas, outras mulheres incríveis e quem mais quiser participar. O tema é urgente, importante e deve ser debatido, porque nosso corpo tá precisando de um carinho nosso. A gente tá precisando se olhar com mais amor e entender o tamanho de cada coisa na vida da gente. É mais inteligente buscar a felicidade olhando para quem a gente é e o que a gente já tem, do que acreditar que estamos na estaca zero dessa jornada. #nodramamom #ainternetqueagentequer