A chupeta da mamãe

Chupeta é um assunto polêmico, capaz de gerar discórdias e inimizades. Os argumentos para não dar a bendita para o bebê são poderesos e verdadeiros: faz mal para a arcada dentária, pode atrapalhar a amamentação, cria dependência e por aí vai. Para mim, esses fatos nunca foram maiores do que a minha vontade de acalmar meus filhos, que sempre chuparam chupeta. Mas como todas as polêmicas da maternidade, ao mesmo tempo que a chupeta me acalmava, deixava também uma ponta de culpa. Será mesmo que eu não era capaz de acalentar meu filho sozinha? Ou ainda de criar mecanismos para que ele mesmo se tranquilizasse? Não sei. Nunca saberei.

Para amenizar o peso na minha consciência, criamos uma dinâmica, uma regulamentação do uso da chupeta aqui em casa. A pacificadora só podia ser usada para dormir. Acodou, tirou. Nunca levei para a escola e também não podia ficar passeando por ai livrimente com o bico na boca. Não tinha um arsenal de chupetas em casa, era só a que estava sendo usada. E para completar, 2 anos era a idade limite para dar tchau para a pepê.

A retirada da chupeta é um processo que pode ser chato, doído e demorado, mas precisa ser feito. E precisa ser feito com a ajuda dos pais. É importante enfrentar  juntos o rompimento e dar muito colo para os pequenos, que sentem mesmo a falta daquela muleta. Prolongar essa relação não vai fazer as coisas ficarem menos difíceis, pelo contrário. Na minha opinião, quanto mais tarde, pior.

Teresa completa dois anos no final de janeiro e eu já tinha começado a conversar com ela sobre essa despedida. Ela olhava pra mim, olhava para a chupeta e dizia que não. Estava super apegada e eu achei que, pela primeira vez, teria problemas para superar essa perda. Eis que essa semana, surgiu em nosso quintal um cavalo. Já era hora de dormir e as crianças estavam de pijama, mas todas correram para a janela da cozinha para ver o bicho. Na empolgação, a chupeta caiu da boca de Tetê e eu não perdi a oportunidade.

Disse a ela que a chupeta agora era do cavalo, que ele era bebê e que tinha ficado muito feliz de ganhar aquele bico. Ela chorou. Ficou brava. Mas depois achou graça e na primeira oportunidade, contava a história do cavalo danado que pegou a chupeta dela. Completava dizendo que agora era grande e não precisava mais da pepeta. Assunto resolvido. Serei eternamente grata ao cavalo que veio pastar em minha grama. #nodramamom