Espelho, espelho meu

Outro dia conversava com uma amiga sobre os efeitos da maternidade em nossos corpos. Eu com 3 e ela recém parida do segundo, falávamos sobre essa figura desconhecida que nos tornamos, alguém distante de quem fomos, mas que de certa forma ainda reconhecemos no espelho. Uma estranha conhecida, sabe?

Não fui uma menina dos esportes e minha intimidade com a bola é nenhuma. Passei rapidamente pelo balé, mas aquela disciplina toda não era pra mim. Quando entrei na adolescência, encontrei a aeróbica. Amava fazer aquelas coreografias que hoje me parecem bem ridículas. Fiz todo o circuito do body sistem e enchi o saco. Anos sem entrar numa academia.

Mesmo nunca tendo sido gordinha, sempre fui adepta das dietas e já fiz de tudo um pouco. A busca era sempre para perder uns dois quilinhos.

Quando engravidei de João, entrei na hidro e fiz até o final. O resultado foi uma gravidez leve. Gostei daquilo e repeti nas outras vezes.

Com 34 anos, esse corpo que já passou por 3 grandes transformações obviamente não é mais durinho, sequinho e no lugar. E sabe de uma coisa? Está tudo certo.

Ter o corpo de uma garota de 20 e poucos anos não é a minha meta. Nunca foi e nunca será. Minha relação com as atividades físicas mudaram. Praticar um esporte significar ter um tempo só pra mim e é delicioso. Estou adorando correr e tem me feito um bem danado. Mas não existe a pressão pelo corpo de antes. O corpo de antes não existe mais. A gravidez nos muda mesmo, não tem jeito. E não é necessariamente para pior. Digo que pareço uma boneca de pano, de tão molinha e dou risada.

E sabe o que me ajuda a não ser tão severa comigo mesma? Eu não tenho um espelho de corpo todo em casa. Não tenho aquele diabinho que fica infernizando o juízo da gente, que amplifica os defeitos e esconde as qualidades. Espelho não mostra quem a gente é. Não pergunta como a gente está se sentido hoje. Espelho não abraça.

Meu espelho mostra da cintura pra cima e me pede que eu mesma avalie como está o resto. Dessa forma, eu preciso fazer meu julgamento e escolhi ser legal comigo mesma. E você, vai escolher o que? #nodramamom