Equilibristas, por Mariana Della Barba

O NoDramaMom lança hoje a coluna da jornalista (e minha amiga querida) Mariana Della Barba, sobre a difícil relação entre maternidade/paternidade e trabalho. Espero que essa seja mais uma forma de inspirar vocês a tentar transformar essa queda de braço em algo menos sofrido e mais justo.

Oi, meu nome é Mariana, mas pode me chamar de Mari. Eu sou jornalista e mãe do Theo e da Liz. Eu escrevi e reescrevi essa frase umas três vezes, porque nunca sei se eu coloco antes o "jornalista" ou o "mãe".Theo vai fazer 7 anos.  E faz 7 anos que vivo esse drama. Mãe e jornalista? Jornalista e mãe? Não sei. E hoje sei que não dá pra saber mesmo. Tem horas que é um, tem horas que é outro. E tem momentos que é meio misturado. Em alguns dias, isso é lindo. Em outros, é exaustivo, injusto, solitário.

A verdade é que nossa obrigação como pai e mãe é deixar um mundo melhor para nossos filhos. É um clichê imenso isso? Total. Mas é a realidade. Fim.

Então, eu acho que a gente tem de lutar pra criar um ambiente de trabalho mais honesto e justo para os pais - e para os filhos.

Como?

Eu não sei. Juro. Jornalista normalmente é assim, não sabe nada, mas conhece quem sabe ;)

Então, minha ideia aqui no NoDramaMom, da minha amada amiga Lua, é compartilhar histórias de mães e pais que conseguiram vencer pequenas batalhas no ambiente de trabalho deles. Ou até casos em que eles fracassaram totalmente.

A esperança é a de que essas histórias acabem nos dando ideias, nos inspirando na nossa luta. Porque a ideia de uma mãe jornalista que queria continuar amamentando na volta ao trabalho pode ser útil para você. Ou a história de um pai que resolveu que já era hora de abrir a real com o chefe pode te dar ferramentas para fazer o mesmo com os seus superiores - ou os seus funcionários.

Porque eu, de verdade, acho que juntos é mais fácil avançar.

Pra finalizar, só vou contar um causo meu. Daí, no mês que vem, me concentro na história de outras mães e pais.

Grávida de sete pra oito meses do Theo, eu já estava só o pó. Cansava muito de andar do estacionamento até a firma onde trabalhava. Pedi pro RH se era possível abrir uma exceção e eu parar o carro dentro da empresa (normalmente reservado para a diretoria). Achei que era uma coisa simples, banal até, visto que era um estacionamento imenso.

Que nada! Foi um auê. Mil chefes me questionando, perguntando se a minha gravidez era de risco. Lembro de eu falando bem claramente - e inconformada - pra uma dessas pessoas: “Se minha gravidez fosse de risco, eu  não estaria aqui, né? Estaria deitada, em casa!”

Ouvi frases do tipo: “É complicado pra gente, porque não podemos abrir precedente. Já pensou se todas as grávidas pedirem isso?”

Sim, eu já tinha pensado. Seria lindo. Seria incrível se todas as grávidas fossem recebidas dessa maneira. E sem questionamentos absurdos por uma coisa que não custaria um centavo a mais pra empresa.

Eu demorei quase um mês pra conseguir a vaga. Mesmo tendo aproveitado esse “privilégio” apenas por algumas semanas, foi uma pequena vitória pra mim. Mês que vem eu conto das outras vitórias e fracassos.

E você, quais foram as suas conquistas, suas batalhas vencidas ou suas batalhas que ainda serão vencidas?