Guarda-roupa de princesa

Primeiro foram os sapatos. Irene passou um ano inteiro usando um pé de cada modelo de sapato. No lado direito a vaca, no esquerdo o gato, ou vice e versa, porque essa ordem não é exatamente importante quando se usa sapatos diferentes. Todo mundo comentava e achava super engraçado. Eu não achava nada. Era o jeito como ela escolheu usar os sapatos. Nunca insistir para ela trocar ou usar de outro jeito, porque, afinal de contas, era ela quem estava usando os sapatos. Depois, vieram as pantufas. Ela tinha três modelos diferentes, que se alternavam na hora de ir para a escola. E lá ia ela, toda feliz e orgulhosa das suas pequenas decisões.

No quesito roupa, Irene sempre teve muita personalidade e eu, pouca paciência, então, podia ir para a escola do jeito que quisesse, com a combinação que achasse melhor. Ela se divertia e eu não me estressava. Estava perfeito. Misturas e mais misturas: legging com saia por cima, meia-calça usada como legging, vestido e calça… Fora as estampas sempre as mais inusitadas.

Com a mudança de escola, surgiu uma nova regra: uniforme ou farda, como se diz na minha terra. Fui lá, comprei duas camisas e uma calça, achando que ela iria se animar com aquela novidade. Acontece que ser igual a todo mundo não é para minha filha e ela simplesmente IGNORA a existência de uma roupa usada por todos. Novamente, entre a sua personalidade e a minha falta de paciência, ela vai para a escola como quer: todos os dias, uma fantasia.

Roupa normal, tipo short e camiseta, só se tiver brilho. O negócio dela é movimento, tem que girar, rodopiar, chamar atenção. A paixão do momento são as princesas e os cabides já contabilizam duas Elzas, uma Ana, uma Bela e uma Sofia. Fora as saias de tule, que cumprem a mesma função. Ah! Tem também esse vestido, que é tipo de casamento, mas ela diz que é da fada, eu eu tenho que concordar. Não satisfeita com o figurino, Irene pede também cabelo e maquiagem temática, onde a sombra varia de acordo com a cor da roupa da princesa. Nesse dia, especificamente, a faxineira de casa não se conformou:

 

- Ela vai mesmo pra escola com uma roupa tão bonita assim?

 

Tive que intervir, explicando que sim, ela iria para escola com aquele vestido, já que aos três anos de idade esse é o grande compromisso da minha filha: ir para a escola e que a roupa precisava estar a altura desse evento. Acho que a Craol, que trabalha aqui comigo entendeu. Até completou que ia parar de sentir pena das roupas da filha, porque ela nunca usa, esperando a ocasião certa e quando vai usar, já não cabe. Yes! Consegui.

É claro que isso tudo é uma vaidade. Mas misturada com uma boa dose de brincadeira, o que cria um equilibrio natural, regulado pela própria criança. É divertido e leve. Penso que esse livre arbítrio que ela tem para escolher como quer se vestir, pode ser muito bom lá na frente. E mais, estamos construíndo autoconfiança. Isso sim, vai garantir que ela esteja sempre bem vestida. #nodramamom