A minha zona de conforto

Quando a gente se dispõe a sair da zona de conforto, sabemos que vamos encarar alguns desafios. Entendemos que haverá dificuldade e até um certo sofrimento, mas compreendemos o propósito maior por trás de tudo isso, já foi uma escolha própria. Quando nos tornamos pais, as nossas decisôes afetam diretamente nossos filhos. As nossas escolhas, mesmo que para o bem deles, podem causar uma enorme tristeza nos pequenos e lidar com essa situação não é nada fácil.

 

 

Ao decidir mudar para o interior, fizemos uma opção consciente. Sabíamos o quanto seria incrível por uma série de fatores e o quanto seria complicado por outros tantos motivos. Mas essa foi uma escolha minha e do Pedro. João, Irene e Teresa vieram junto na mala.

Para as meninas a mudança ainda não é tão relevante e o sofrimento é brando. Com Teresa, cada dia ainda é uma descoberta e ela se relaciona com o mundo na velocidade das horas.

Irene já consegue entender o tempo com um pouco mais de complexidade e mistura o passado, o presente e o futuro em suas construções verbais, tentando se explicar. “Amanhã eu fui para a casa do meu amigo Romeu, em São Paulo.” Ela lembra dos amigos da escola, da professora, da antiga casa. Entende que não está mais no mesmo lugar e agora, depois de 4 meses, começa a se apropriar de alguns espaços e tenta construir novos laços.

 

Com João a história é diferente. Ao longo desse semestre ele ocilou entre o amor e o ódio. Questionou nossa decisão e queria se aprofundar em cada uma das razões que apresentávamos a ele. Muitas vezes, eu saía dessas conversas arrasada, me questionando se tinha tomado a decisão certa, se aquilo tudo de fato seria bom para meus filhos, como eu queria tanto acreditar.

 

Eu ainda não tenho a resposta que gostaria, mas tenho uma calma no meu coração que me faz seguir confiante. Estou muito próxima aos meus filhos e atenta aos seus sinais. Estou disponível para o colo, o abraço ou o diálogo, estou presente na nossa relação e isso faz com que as dificuldades deles sejam enfrentadas por todos nós, juntos. Colocá-los numa posição desconfortável, tirar o que antes era referência para construir algo novo, precisa ser encarado como uma possibilidade de crescer junto. Assim e só assim, a carga ficará mais leve. #nodramamom