A segunda foi Irene

Continuando a saga de partos, hoje eu conto a história da Irene. João já estava com 3 anos e a gente começou a falar em aumentar a família. Queríamos mais um filho e assim, chegou a bolota. Mais uma gravidez tranquila, feliz e saudável e com a experiência anterior de não ter tido o parto normal, decidi mudar de médico.

 

 

Dessa vez, a indicação veio de uma vizinha que me disse que tinha feito cesárea por opção, mas que o médico era muito “de respeitar” a vontade da grávida. Lá fui eu para mais um médico da Vila Olímpia. Esse era um japonês hilário e toda consulta era praticamente uma festa. Se na primeira gravidez eu não tinha muitas dúvidas, nessa então, era só alegria. Falei da minha vontade de ter um parto normal e ele me disse que era totalmente possível, se tudo estivesse bem.

 

Para quem se informa um pouco sobre as coisas (não era o meu caso, né?) alguns sinais sobre o médico já evidenciavam que ele não faria o meu parto da maneira que eu tanto queria. Algumas delas:

  • Ele mesmo conduzia as ultrassonografias dentro do consultório.

  • Doula? O que é isso?

  • Ele nunca conversou comigo sobre contrações, dor do parto, tipos de parto, nada disso. E eu, anta, também não perguntava. Na minha cabeça era tão normal que um obstetra fizesse parto normal, que eu não sabia que deveria haver algumas condutas a serem observadas.

  • Tem médicos que dizem que fazem parto normal, mas eles não vão segurar a sua onda e diante de qualquer medo ou dúvida, ele vai te empurrar uma cesérea.

 

Na consulta de 38 semanas e fez a ultra e me deu a seguinte notícia: vc está perdendo líquido, vamos ter que fazer uma cesárea. Meu mundo caiu. Chorei muito. Estava decepcionada comigo, já que não iria conseguir mais uma vez. É muito louco como a relação com médico é construída, né? Naquele momento eu jamais pensei em questionar o que ele estava me dizendo. Aquilo era uma lei, uma ordem a ser cumprida em meu favor, já que era um médico, o meu médico quem estava me dizendo. Lembro que ele disse para ficar tranquila, que a equipe dele era muito sensível e que a cesáera seria o mais humanizada possível. (risos).

 

Consegui pedir que ninguém tirasse a bebê do meu colo. Queria que ela mamasse assim que nascesse. Não queria apagar como da primeira vez e assim foi. Irene nasceu e veio para o colo. Eu estava alerta, presente e no final, deu tudo certo, que é a coisa mais importante nesse processo todo.

 

Naquele momento, eu ainda não sabia (não sei como, mas não sabia) que os médicos estão desaprendendo a fazer partos normais. Não sabia que em São Paulo, uma cidade daquele tamanho, é possível contar nos dedos os profissionais que fizeram a escolha pelo parto humanizado. Não sabia a importância do papel da doula, não entendia a grandiozidade que é parir. Ainda bem que tive uma outra chance. #nodramamom