O primeiro foi João.

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Acho que o #TBT do instagram me deixou com vontade de falar sobre minha primeira gravidez e o parto do João. São 3 filhos e 3 partos completamente diferentes, que eu acho que vale muito a pena compartilhar, porque informação nunca é demais. Segue então, o meu primeiro relato.

Engravidar definitivamente não estava nos planos. Tínhamos acabado de despachar nossa mudança para São Paulo quando eu resolvi fazer um teste e tirar a pulga que estava morando atrás da minha orelha. Duas listrinhas vermelhas, um susto e um bebê a caminho.

A gravidez foi um momento muito incrível da minha vida. Me sentia linda e forte com aquele barrigão. O engraçado é que esse sentimento se repetiu nas outras vezes, deixando um gostinho bom e as melhores lembranças sempre. Não enjoava, não inchava, não engordava. Tinha pique e tava muito feliz com a chegada do João.

O médico escolhido foi uma indicação do chefe do Pedro. O médico tinha feito o parto dos filhos do cara e ele fez questão de nos encaminhar para esse profissional. O médico era muito simpático e eu fui uma grávida que não dei muito trabalho. Não tinha muitas dúvidas, nem medos. Como estava sempre tudo bem, aquilo foi me tranquilizando. A gente não conversava muito sobre o parto. Eu disse que queria ter parto normal e ele nunca mais tocou nesse assunto.

Chegamos na quadragésima semana e lá estava eu na consulta, quando ele me deu a seguinte informação: o bebê é muito grande e você não tem passagem. Se a gente esperar mais, ele pode entrar em sofrimento. A palavra sofrimento ficou ecoando na minha cabeça e eu comecei a chorar. Não queria que meu bebê sofresse!! Perguntei a ele o que fazer e ele respondeu que o melhor seria fazer uma cesárea.

No dia seguinte as 7:30 da manhã eu chegava ao hospital para ter o meu bebê. Uma completa alheia. Cheguei maquiada e depilada, como quem vai para um balneário nas férias. As 10:00 da manhã o João nasceu, com 3,850kg. Um bebê lindo. Olhei para ele, senti seu cheirinho, tirei uma foto e dormi. Não sei por quanto tempo, mas dormi profundamente. Quando despertei, parecia que tinha se passado umas 3 horas. Eu queria ver meu bebê, ir para um quarto. Chamei um enfermeiro que prometeu me levar assim que possível. Me senti completamente só nesse momento e chorei. 

Quando cheguei no quarto, João estava lindo e cheiroso, de banho tomado e com a roupa nova. Me agarrei naquele bichinho e não larguei mais, mesmo sob protestos das enfermeiras que queriam que ele fosse para o berçário para que eu descansasse. 

Hoje, sete anos depois, eu olho para esse momento da minha vida e fico me perguntando como consegui ser tão ignorante...Dói ver minha história e pensar que poderia ter sido tudo diferente. Mas eu não sabia. Não sabia que existe uma engrenagem, uma fábrica de médicos cesaristas.  Profissionais interessados em cumprir uma agenda, que nada sabem sobre a vida, que não se interessam pelo papel da mulher, que não acreditam no poder de um parto natural.   Me sinto enganada pelo médico, pois foi ele quem conduziu a minha gestação e o meu parto, quando na verdade, eu deveria ter sido a protagonista.

Claro que não entendi isso naquele tempo e só acessei esses sentimentos quando engravidei de Teresa e me vi diante uma situação absurda mas muito comum. Mas isso é uma outra história que eu conto depois. #nodramamom