Uma mãe, três colos

Sou uma mãe durona, capaz de ser muito rígida na hora de repreender um mau comportamento, mas não nego colo. Nunca. Minha frase para meus filhos é que eles sempre vão caber no meu colo, mesmo apertadinhos. Atualmente tem rolado uma disputa forte por esse espaço e tem dias que me sinto um troféu. Falando assim pode até parecer engraçado, mas na verdade é muito cansativo.

Irene é a filha do meio e eu não sei muito bem o que isso significa nas constituições familiares. Não li sobre o assunto. Mas o que tenho sentido na pele é uma luta por atenção e demarcação de território. Ela tem dois anos e meio e não sabe se olha para o irmão mais velho ou para a irmã mais nova. Ora ela diz que é uma bebezona, ora ela brinca que é a mãe do João. Tem horas que ela bate em Teresa, tem horas que ama e enche a irmã de beijo. E chora por tudo. E levanta o dedo para falar com os amigos. E, claro, quer mandar em todo mundo - isso ela faz bem.

Administrar esses conflitos é difícil, cansativo e nos leva muito perto de um lugar onde a paciência já não existe. Eles gritam, brigam e podem até se machucar, mas tudo o que eles querem é atenção. Todos eles e o tempo todo. É, a equação não fecha já que sou só uma. E mesmo quando Pedro entra para dar esse colo, sou eu que estou na berlinda. Acho que nessas horas o exercício do amor é fundamental. Mesmo quando a vontade de gritar seja maior do que a vontade de beijar. Respirar fundo e acolher. Ensinar a conciliação no lugar da guerra, a palavra no lugar do embate físico. Ufa! Vai dar certo. Tenho fé que vai. #nodramamom