Para meu pai, com amor

Reencontrei meu pai depois de um longo período de silêncio. Longo tipo 12 anos. Antes disso não havia nenhuma memória guardada com carinho. Era o vazio. A vida seguiu e minha mãe sempre ocupou todos os espaços onde pudesse existir a falta. Ela foi simplesmente foda e é até hoje. Tanto que meu sonho de menina era ser mãe solteira. Eita destino fanfarrão!

Quando completei 19 anos, achei que estava na hora de procurar esse pai, colocar essa figura no seu lugar devido para que o meu imaginário deixasse de criar um fantasma onde havia uma pessoa. E lá fui eu, amparada com o exército mais lindo que eu podia ter.

Ele mora em Goiânia e eu que ia sempre a Brasília visitar uma grande amiga, resolvi esticar o caminho e ir até ele. Sabia da existência de dois irmãos e queria conhecê-los. Depois desse encontro atrapalhado, onde pairava uma intimidade fingida entre estranhos, iniciamos um caminho de volta. Meu pai, quem diria, era um cara muito legal. Admitir isso doeu demais. Mas entendi que não poderia haver cobranças a respeito do pai que ele não foi pra mim. Eu precisava recomeçar daquele momento, sem olhar para trás. Perdoar.

Com a chegada dos netos a nossa relação ganhou outro status. Ele é o vovô Ângelo. O vô palhaço, que tem um boneco ventríloquo, que conta piada, brinca, corre, se joga no chão e depois vai embora deixando uma saudade boa.

Ele me liga toda semana, diz que me ama e tem sempre algo engraçado para contar. Já não somos mais estranhos e escrever sobre essa história me faz pensar a gente optou pelo melhor caminho. Feliz dia dos pais, pai.#nodramamom