Olho por olho e o mundo vai se acabar

O mundo está ao contrário e todos nós já reparamos. Hoje, uma das coisas que mais me assusta, tanto no mundo virtual quanto no real, é a intolerância e o desrespeito às escolhas. Sei também que cada vez mais as pessoas protestam, seja mudando o avatar no facebook ou indo às ruas, mesmo que seja com a camisa da CBF. Fato é que todos dizem estar querendo o melhor. Minha preocupação é com aqueles que querem o melhor para si.

Estava ontem numa pizzaria onde a grande atração, mais do que a pizza em si, era um brinquedão para as crianças. No centro, um pula-pula, onde só poderia entrar uma criança por vez e os pais deveriam controlar o tempo de seus filhos, usando o bom senso.

Uma mãe que acompanhava a filha ficou brava que não tinha monitor para regular a fila e resolveu que a sua cria poderia ficar quanto tempo ela quisesse, não importando a quantidade de outras crianças querendo brincar. Ela e seu bom senso decidiram que, já que não tinha ninguém para olhar, o relógio seria o da criança – e assim foi.

Irene estava na fila esperando.

A mãe não parecia se importar.

Eu tentei iniciar um diálogo, mas vi que ela não queria ser contrariada e estava disposta a armar um barraco. Ela iria fazer isso sozinha, se dependesse de mim.

Convenci Irene a desistir do pula-pula, porque tem momentos que bater em retirada é mais nobre do que entrar na guerra.

A menina ficou no brinquedo por 15 minutos, com a mãe ao lado, orgulhosa da sua contravenção. E eu, ao invés de ficar com raiva, só consegui sentir muita pena dela e das referências de certo e errado que permearão sua vida.

É, realmente de nada adianta praticar yoga e não dar bom dia ao porteiro.#nodramamom