O meu, o seu, o nosso drama

Tudo indicava que o dia terminaria tranquilamente. As crianças tinham jantado bem, João estava brincando de Lego no quarto e eu estava na sala lendo com as meninas. Até que um dente mole nos tirou o sossego. João vem do quarto chorando porque bateu o dente na cabeça do caritcha de Lego e eu peço para ver.

A partir daí, se desenrola uma cena com muito choro, gritos e uma dose generosa de drama e desespero. Tento segurar o menino, que tenta escapar dos meus braços. Tento conversar com o menino, que só faz gritar. Grito junto, perco a paciência, explodimos os dois. Estou cansada e ele também.

Eu só queria ajudá-lo e ao ser repelida, me magoei. Precisava afirmar a minha força (moral, emocional e física) de mãe. Precisava fazer ele entender que eu não iria machucá-lo, que precisava ver o bendito dente.

Jurei que não iria arrancar (até porque odeio essa parte), mas ele não cedia. E chovara forte, com raiva, com medo. Medo da dor e medo de mim.

Foi quando ele me disse: “eu nunca vi uma mãe querer machucar seu próprio filho.”

Fiquei paralizada. Imediatamente comecei a chorar. Queria abraçar ele e apagar tudo aquilo. Ao mesmo tempo, não podia deixar ele achar que estava fazendo algo para machucá-lo. Senti um bocado de coisas misturadas: vergonha de não ter conseguido conduzir a história de um outro jeito, medo do meu filho realmente pensar aquilo de mim, frustação por ele não me confiar um dente mole.

Depois que ele falou o queria, conseguiu me tirar do transe da ação. Havíamos chegado ao limite e era preciso parar. Larguei o algodão que estava na minha mão, segurei ele firme e disse olhando em seus olhos que jamais faria nada para machucar ele. Jamais. Disse que era hora de dormir e que a gente precisava encerrar aquele assunto. Ele ainda protestou, mas foi para a cama. Tem dias que é difícil ser uma mãe sem dramas, mas eu vou seguir tentando.#nodramamom