O filho mais velho

João é o meu filho mais velho, de 6 anos. Ele é um menino incrível, curioso, observador, carinhoso, sensível e muito desligado. Acredito que no futuro isso vai virar um certo charme, mas agora chega a ser irritante, obviamente.

A chegada de Irene, quando ele tinha 4, foi um divisor de águas. Ele cresceu da noite pro dia, já que eu precisava que ele me ajudasse, se virando um pouco mais, no que fosse possível. Um pressão quase velada, para que ele assumisse o posto de irmão mais velho. Quando a irmã completou dois meses, veio a catarse: estava dando de mamar e ele precisava terminar o almoço e escovar os dentes para a gente ir para a escola. Do quarto, ouvi uma confusão na cozinha. Até que tirei Irene do peito e fui pra cima dele: João, cara, o que foi? Qual o problema? E ele transbordou, aos prantos:

- Você está muito chata, eu não queria ter irmã, você não fica mais comigo, Irene só chora e está tudo muito ruim.

Choramos juntos em um abraço longo e silencioso. Até que ele se recompôs, respirou fundo e disse: “a gente precisa ir para a escola”. Ele havia conseguido colocar tudo pra fora e estava bem, sereno.

A chegada de Teresa foi mais rápida do que imaginávamos e acho que ele não teve tempo de digerir. O resultado veio com o choro fácil no lugar das conversas e as manhas sem fim. Está muito claro que preciso de momentos só com ele, mas não tenho encontrado um jeito, uma brecha. Preciso cuidar de todos e de cada um separadamente e ainda de mim, do casamento, da casa, do trabalho, da conta para pagar. É cansativo. Mas eu vou conseguir. Só não sei exatamente quando. Tomara que amanhã dê tempo.#nodramamom