Mãe mãos de tesoura

Eu corto o cabelo dos meus filhos. Sem técnica nenhuma. Só vou lá e meto a tesoura. Tenho aflição de criança (meninas, na verdade) de cabelo grande e acho que preciso ensiná-las ou ajudá-las e compreender desde já que cabelo cresce e que esse apego aos fios não significa beleza. Uma bela cabeleira tem seu valor, mas por que ter sempre a mesma cara? Por que esse medo da tesoura? Juro que está além do meu entendimento.

No processo como consultora de estilo convido minhas clientes a se despirem de conceitos estabelecidos ao longo de toda vida. Elas ficam nuas diante de si mesmas e percebem que são bonitas por outras coisas que não apenas o nariz no lugar, o peito durinho ou a barriga chapada. A gente é mais do que tudo isso.

E se eu não mostrar isso aos meus filhos, o mundo irá fazer exatamente o contrário, estabelecendo padrões de beleza e impondo verdades sobre “o que é bom”. Não. Aqui, não. Aqui somos lindas quando acordamos, assanhadas, de cabelo curto, de cabelo grande. Com roupa ou sem. #nodramamom.