Mãe de menina

Lembro que chorei quando o médico falou que era uma menina. Depois de ser mãe do João eu não queria nada além de meninos na minha vida. Tinha pânico de pensar em ser mãe de uma menina e ter que lidar com todas as frescuras que isso implicaria.

Que besteira, meu deus!

Irene chegou e eu morri de amor. É verdade que sofri no início com a quantidade de rosa e lilás que querem te empurrar goela abaixo, mas isso logo passou, porque Irene é colorida e as frescuras ainda não apareceram até aqui.

Ela foi carinhosamente apelidada pelo avô de Ogrinha. E olha, caiu como uma luva. Ela tem fogo nas ventas, é mandona, brava, organizada e muito engraçada. Observo espantada a sua determinação e torço para que isso não se perca. Escolhe o que vai vestir e usou, durante um ano, sapatos diferentes para ir à escola. Ela quebra o protocolo e, assim como eu, dança diante de uma boa comida. Isso: dança. Vive atrás do irmão para dizer o que precisa ser feito e brinca que João e Teresa são seu filhos. Ela não resiste a um batom vermelho, que tem a mesma função que um pote de guache: se pintar! É vaidosa como eu acho que criança deve ser: adora se enfeitar e sair parecendo um maracatu.

Irene é exatamente a filha que eu nem sabia que queria ter. #nodramamom