Hora de crescer

Lembro quando estava grávida de Irene, um amigo sempre dizia que a chegada do segundo faz a gente empurrar o primeiro filho pra frente, decretando que ele deve crescer. Esperamos dele mais autonomia, para aliviar a nossa barra. Um novo bebẽ está chegando e não há espaço para mais um. Racionalmente faz todo sentido, mas emocionalmente, nem tanto. O irmão mais velho perde o posto de filho único, precisa dividir a atenção e o afeto, Além disso, é cobrado para amar aquele novo ser que chega na família, como se fosse simples assim. Bom, nem sempre é. Com três filhos virei especialista em empurrar criança para frente, me tornando uma espécie de bruxa quase.

Nesse processo, quem mais recebe pressão é o João, por ser o mais velho. Mas não acho que pode ser diferente. Estamos sempre no meio do caminho, fazendo e facilitando tudo para os filhos. Ficamos divididas entre comemorar a autonomia e super proteger. Num misto de sentimentos que vão desde deixar de ser fundamental na vida deles passando por não querer que eles cresçam.

Ajudamos a tomar banho, a partir a carne, a servir o leite. Ajudamos a amarrar a chuteira, a pentear o cabelo. Escolhemos a roupa, forramos a cama, lavamos os pratos. Mas qual é a hora deixar que eles façam sozinhos essas pequenas atividades? No caso de meninos, porque a resistência em cobrar deles a responsabilidade nas tarefas domésticas?

Bom, aqui em casa a hora é agora. João tem 7 anos e se ele não entender que é preciso cuidar do lugar onde se mora, vai ficar impossível mais na frente. Tem que ajudar, mesmo reclamando que é injusto (gente, como eles adoram essa palavra). Tem que entender que pode sim fazer algumas coisas só e que eu sempre vou estar ali se ele precisar. Tem que entender que isso é crescer e que nem sempre é bom, mas faz parte. E eu preciso ensinar para ele que andar com as proprias pernas não é deixar de amar e nem deixar de cuidar. Muito pelo contrário. #nodramamom