Detox da felicidade

(Esse texto contém generalizações.) Todas nós temos musas. Mulheres que admiramos, achamos incríveis e que, de alguma forma, gostaríamos de copiar. Tem gente que tem musa fitness e todos os dias se sente massacrada por aquela figura. É um "guilt pleasure", aquilo que mistura culpa e prazer. Você não consegue parar de ver, de seguir, de amar e de odiar. Tem outras que têm uma musa fashion e matariam pelo guarda-roupa da moça. Os mesmos sentimentos de amor e ódio se repetem aqui e tudo isso vai alimentando uma grande loucura. E agora tem também as mães musas. Elas são uma mistura das duas categorias citadas acima. Perderam todos os (poucos) quilos da gravidez em dois meses e costumam praticar exercícios usando os bebês como pesinhos de academia (risos). Estão sempre lindas, assim como seus rebentos, que conseguem usar acessórios de cabelo antes mesmo de ter cabelo (quando meninas), ou sapatênis (quando meninos). O casamento está maravilhoso, o sexo idem e a vida só melhorou com a chegada do filho. Essa mãe dá receitas de papinha que são infalíveis e claro, os pequenos AMAM comer. Dormir para elas é uma questão de treino e se seguir o método, não tem como dar errado. Se você segue essas mães, sejam fortes, mas ‪elas não existem. Essa vida delas é de mentira. É igual a novela.

A internet é um espaço livre e a gente escolhe quem e o que queremos ver, ler, seguir e eu não sigo nenhuma dessas pessoas. Fiz isso por uma opção e foi tipo um detox.

Decidi escrever esse texto depois que recebi um e-mail querido de uma mãe, que dizia que eu havia me tornado sua musa e que era libertador ler meus textos. Amei cada palavra escrita e meu ego quase fica fora de controle. Mas fiquei com medo também. Aprendi que mãe não é tudo igual, mas é tudo gente: tem as mesmas angústias (em maior ou menos escala, por mais ou menos tempo). Essas mães musas da internet usam essa vitrine para mostrar uma vida perfeita, mas só elas sabem o que acontecem quando o celular está desligado. Ninguém é perfeito. Nem a sua musa. E muito menos eu. De qualquer forma, obrigada Carol, por suas palavras. Mas prefiro ser sua amiga do que sua musa, pode ser? #nodramamom