Desacelerar é preciso

Sair São Paulo foi fácil o difícil, difícil mesmo tem sido tirar São Paulo de dentro de mim. A urgência da cidade vai se entranhando na nossa pele e nos transformando profundamente. A gente não sabe ser de outro jeito que não urgente. Tudo é para ontem, para já, para agora. Esse jeito de viver a vida acaba permeando quem a gente é e como nos relacionamos com os outros, incluindo aí os nossos filhos.

Temos pressa para que eles sentem, depois andem e claro durmam a noite toda. Temos pressa para que eles aprendam a dividir com os amiguinhos, para que sociabilizem na escola. Temos pressa para que eles falem, se alfabetizem e depois para que eles falem outra língua. Temos pressa para que eles nadem e dancem balé. Damos a eles uma lista de atividades a serem cumpridas, porque ficar em casa dá mais trabalho. Usamos a desculpa de que essas outras coisas são fundamentais para a formação física e intelectual das crianças, sem nem pensar que podem existir outras alternativas e outros tempos para fazer tudo isso. Vamos assim, nesse ritmo frenético, empurrando a vida pra frente.

Calma, respira. Respira de novo e conta a até dez.

Morar em uma cidade pequena tem sido um grande detox de toda essa urgência e necessidades. Aqui a velocidade é diferente, não adianta espernear. É difícil e tem horas que chega a doer, mas passa. Estamos todos num grande processo de reaprendizagem e entendimento de que existem outros jeitos de viver e como toda mudança causa, sim, um desconforto, te leva para um lugar (no meu caso, literalmente) novo.

A cada dia que passo brincando com meus filhos, tenho certeza que fizemos a escolha certa e que eles vão lembrar desse tempo com muito carinho. Desaceleramos por eles e para eles. Mas se no final a gente perceber que precisamos aumentar o ritmo do passo, também por eles e para eles, a gente vai ter vivido um tempo muito bom.#nodramamom